Precificação Papelaria Personalizada: tudo o que você precisa saber!



Precificação para papelaria personalizada: tudo o que você precisa saber!


O tema do texto de hoje é bastante importante, pois ele é motivo de dúvida para a maioria das pessoas que trabalham com papelaria personalizada. E esse é nosso caso, não é mesmo?

Quanto cobrar pelo produto que fabricamos em casa? Qual o preço justo e correto para nós produtores e para os consumidores? Se não estivermos certos de qual preço cobrar, corremos o risco de levar o negócio à falência mais rápido do que imaginamos.


Por isso, vamos aprender passo a passo como chegar ao preço final do nosso produto. Você vai ver que vai a pena se organizar, mesmo que no início dê um pouco de trabalho fazer as contas.


1. Quantidade de horas trabalhadas por mês


A primeira coisa que você deve fazer é calcular quantas horas você trabalha por mês. Sabendo isso, é possível saber também qual o valor da hora trabalhada. Você pode dizer que trabalha 8 horas por dia, de segunda e sexta e, desse modo, a quantidade de horas trabalhadas por mês é 160 horas/mês.

Mas, não é tão simples assim. Sabemos que quem trabalha em casa não fica 8 horas por dia focado no trabalho. O ambiente doméstico possibilita distrações, por mais que o profissional seja disciplinado.

Nós, mulheres, que somos esposas e mães, sabemos bem disso. É filho que chama, marido que chega, etc. Por essa razão, o mais indicado é considerar, por exemplo, 80% deste tempo. Assim, calculamos as horas de forma mais justa. 80% de horas trabalhadas e 20% para distrações diversas.

Considerando isso, a quantidade de horas trabalhadas seria 128/mês e não 160/mês. Correto?


2. Despesas fixas mensais


Para alcançar nosso objetivo, que é precificar nosso produto, devemos também saber quais as despesas fixas mensais com o negócio. Mas afinal, você deve estar se perguntando: o que são despesas fixas?

São todas aquelas que chegam todo mês, faça chuva ou faça sol. Alguns exemplos são: energia, água, internet, aluguel, contador — se tiver um —, pró-labore ou salário de funcionário, hospedagem de site. Enfim, as despesas fixas vão variar de negócio para negócio. Liste e anote as suas.

Vale lembrar que essas despesas são fixas porque elas vão chegar independentemente de você vender ou não alguma coisa.

Como no tópico anterior chegamos a uma quantidade de horas trabalhadas por mês de 128. Vamos escolher um valor de exemplo para facilitar nosso cálculo no final do artigo. Digamos que você trabalha em casa e que as suas despesas fixas aqui sejam: R$ 1.285,00, sendo: 

- Energia R$ 100,00

- Água R$ 30,00

- Telefone R$ 15,00

- Internet R$ 100,00

- MEI R$ 60,00

- Salário R$ 1.000,00


3. Valor da sua hora de trabalho


Depois de saber a quantidade de horas trabalhadas por mês e o valor das despesas fixas, já é possível calcular o valor da sua hora de trabalho. Este cálculo é muito importante e todo profissional que trabalha com papelaria personalizada deve saber.

É bastante simples: basta dividirmos o total das despesas fixas pela quantidade de horas trabalhadas no mês.

Ou seja: 1.285,00/ 128h = R$ 10,04. Simples, não é mesmo?


4. Custos variáveis mensais


Nós já aprendemos a calcular as despesas fixas. Agora é preciso descobrir os custos variáveis mensais do trabalho.

Os custos variáveis são aqueles ligados diretamente à produção do produto. Alguns exemplos que podemos citar são: impressão, cola, papel, gastos com desgastes tanto da base de corte quanto da lâmina, fita banana, dentre outras coisas.

Cada produto tem um custo variável, que deve ser calculado da seguinte forma: valor do produto/pela quantidade na embalagem.

Por exemplo: A cliente deseja comprar 15 tags para colocar em tubetes, somente as tags, e sabemos que em 1 folha A4 cabem 15 tags.

Então, você vai precisar calcular o preço da folha, o custo de impressão e o valor da depreciação da lâmina, se você for corta na máquina de corte.

Mas hoje vamos calcular cortando na tesoura, ok?

Então, vamos calcular assim:

- 1 folha A4 (off Set): R$ 0,16

- Custo da Impressão: R$ 0,06 (para saber como calcular seus custos de impressão, clique aqui).

- Total dos custos variáveis: R$ 0,22


Esse cálculo vale também para a embalagem que possui um único produto ou vários produtos. Por exemplo:

Uma cartela de strass de 500 unidades. O preço da cartela é em média R$ 3,00. Então, cada pecinha de strass vale R$ 0,006, ou seja, R$ 3,00/500. Se você utilizar 30 pecinhas, seu custo será de R$ 0,18.


Sendo assim, os custos variáveis vão ser a soma do custo de cada produto utilizado na produção da peça. Ao contrário do que você pode pensar, esse não é o CUSTO DO PRODUTO e sim seu CUSTO VARIÁVEL. Para obter o custo do produto, levamos em consideração o valor da mão de obra também. Veja no tópico a seguir.


5. Custo unitário total


Para usar como exemplo, digamos que o custo variável de determinada peça seja: R$ 0,22. O custo do produto (ou custo unitário total) será a soma dos custos variáveis com a sua mão de obra. Mas, como calcular a mão de obra? Vamos explicar a seguir:

Para descobrir o valor da mão de obra, é necessário saber o tempo que leva na produção da peça. Digamos que o tempo seja 20 minutos. Se o valor da sua hora de trabalho como exemplo aqui no texto é R$ 10,04, quer dizer que 60 minutos vale R$ 10,04.

Então, para descobrir quanto vale 20 minutos, basta dividir o valor da sua hora por 3. Ou fazer uma regrinha de três quando for difícil calcular direto. Vamos aos cálculos?

Considerando que:

R$ 10,04 = 60 minutos

x = 20 minutos


Então,

x = 20 x R$ 10,04

x = 200,80/60

x = R$ 3,35

Com essa conta, encontramos o valor da mão de obra.

Para chegar ao custo unitário total, basta somar a mão de obra com o custo variável. Vamos usar os valores de exemplo deste texto: Custo variável (R$ 0,22) + valor da mão de obra (x = R$ 3,35) = R$ 3,57.

O custo unitário total é R$ 3,57

Percentuais que devem ser considerados


Agora chegamos ao cálculo dos percentuais que também são variáveis, ou seja, só há incidência deles quando ocorre a venda do produto. Os percentuais são, dentre outras coisas:

- Impostos ― se for MEI, por exemplo;

- Comissões de vendas;

- Taxas ― cartão de crédito ou débito;

- Comissões de Marketplaces, como Mercado Livre, caso você utilize;

- Lucro desejado;

- Investimentos diversos.

Digamos que no seu negócio de papelaria personalizada, você pague os seguintes percentuais:


Impostos: se você for MEI, os impostos entram nas despesas fixas. Se não for, pode considerar aqui outros impostos atrelados à venda do produto, se houver;

- Comissões de vendas: 5%;

- Taxa de cartão de crédito ou débito: 3%;

- Lucro desejado: 30%;

- Investimento: percentual utilizado para investimento no negócio. Você escolhe qual é. Vamos considerar 8%.


Pronto! A somas dos percentuais é: 46%.

Markup do produto


Agora vamos descobrir o Markup do produto. Se você não sabe o que é isso, não se preocupe. Vamos explicar direitinho.

Markup é um índice fundamental para obter o preço final de um produto. Ele é aplicado sobre o custo do produto (ou serviço) para que o preço final, ou seja, de venda seja estabelecido.

O Markup é a soma do custo total do produto (ou custo unitário) + uma margem de lucro estabelecida. Essa soma nos leva ao preço final. Com esse índice, garantimos que a precificação do produto tenha sido feita de forma correta.

Para calculá-lo, algumas contas são necessárias:

Markup = 100/ 100 - (os percentuais)

Usando o exemplo do texto, em que os percentuais deram 46%, vamos às contas:

Markup = 100/ 100 - 46

Markup = 100/ 54

Markup = 1,85.


Lembra que dissemos que o Markup é um índice? Então, não considere esse valor em reais.

Preço de venda


Após todos esses cálculos, chegou finalmente a hora de obter o preço final do seu produto. O processo é bem simples, basta utilizar a fórmula abaixo:

PV = CUT x Markup

Onde:

PV = Preço de venda

CUT = Custo unitário do produto

Markup = índice calculado no tópico acima

Com base nessas referências, vamos ao preço de venda:

PV = 3,57 x 1,85 = R$ 6,60

Então, como a cliente deseja 15 tags, dividimos R$ 6,60/15, e teremos o valor de R$ 0,44 cada tags.

Pronto! Finalmente chegamos ao preço de venda. Percebeu como são necessários alguns cálculos? Mas, não muito difícil, não é mesmo?

Antes de finalizar, vamos para mais um cálculo importante para precificar seu produto de papelaria personalizada.

Preço dos materiais: como calcular?


Durante nosso passo a passo, pode ser que tenha ficado alguma dúvida na hora de calcular o preço dos materiais. Afinal, eles podem ser vários em uma só embalagem.

Já explicamos no passo a passo como calcular o preço de materiais que vêm em embalagens e neste caso é simples. Basta dividir o preço do produto pela quantidade dele na embalagem. Até aí, tudo bem!

Mas, já imaginou como pode ser complicado calcular o desgaste dos equipamentos? A cola utilizada? Ou o custo da impressão? Não se preocupe! Vamos mostrar como proceder nessas situações. Você vai ver que nessas situações nossa capacidade de análise entra em jogo.

Por exemplo: para calcular a depreciação (que você vai incluir nos custos variáveis) da lâmina e da base de corte, utilize o custo de cada um e divida pela produção de deles.

Digamos que a lâmina tenha capacidade para 900 cortes. Vamos pegar o valor dela e dividir por 900. Uma lâmina de corte autoajustável está custando em torno de R$ 79,00. Então: 79,00/900 = R$ 0,08. Esse é o valor de depreciação da lâmina.

Entendeu? Desse modo, você pode fazer com outros materiais, sempre observando a produção deles. Com a rotina de trabalho não é difícil ter uma base do quanto de cola dá para utilizar em cada produto, a vida útil da impressora ou a quantidade de cortes da base de corte.

Essas são as dicas para precificar seu produto de papelaria personalizada. O que achou do nosso passo a passo? Se ainda tiver dúvidas, não deixe de perguntar! Será um prazer ajudar!


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